Fórum Nacional vai debater como o país pode se tornar centro de tecnologia da informação
Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O Brasil tem condições de se tornar o terceiro maior centro global de tecnologia da informação (TI), na opinião do ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso. O tema será debatido durante o 20º Fórum Nacional, que o Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae) promove no Rio de Janeiro a partir do próximo dia 26.
“Hoje, nós somos mais criativos do que a Índia, mas exportamos algo em torno de US$ 500 milhões por ano de software, por exemplo, e a Índia exporta entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões. Não há razão para isso”, comentou o ex-ministro, que é superintendente geral do Inae, em entrevista à Agência Brasil.
O fórum vai examinar também a chamada “economia criativa”. Esta é criada a partir das aptidões modernas proporcionadas pela economia do conhecimento. “Então, você leva o conhecimento a todos os setores da economia e faz uma transformação no agronegócio, em setores de insumos básicos, como siderurgia, celulose e papel. Ou seja, nas áreas intensivas em recursos naturais”.
Reis Velloso explicou que o termo economia criativa engloba o conhecimento não só tecnológico, mas sob todas as formas. “Porque entram tecnologia, engenharia de produto e processo, métodos modernos de ‘management’ [gestão]. Entram a educação a nível de pós-graduação, design [desenho industrial], marca”.
Segundo Reis Velloso, a estratégia de desenvolvimento baseada na economia criativa pode tornar o Brasil o melhor dos países do BRIC (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China). Ele assegurou que é dessa forma que os países escandinavos atuam.
“Eles têm desvantagens em termos de recursos naturais. E, no entanto, começaram a se desenvolver através [dos avanços] de setores intensivos em recursos naturais, como a celulose, por exemplo”.
Reis Velloso citou o caso da Nokia, que é uma empresa de celulose e se tornou a maior fabricante de telefones celulares do mundo, porque aprendeu a usar a ciência, a tecnologia e o conhecimento em geral. “Muitas empresas dos países nórdicos se tornaram criativas e inovadoras. E hoje, a Escandinávia é a área do mundo que tem a maior renda per capita”.
Para Reis Velloso, usando a estratégia da economia criativa, o Brasil pode tornar realidade o que afirma Roger Cohen, colunista do New York Times: “O futuro do Brasil é agora”.
“Se nós soubermos aproveitar as vantagens que temos em termos de recursos naturais. Para isso, temos que usar a economia do conhecimento. Do contrário, vamos só fabricar ‘commodities’ (produtos agrícolas e minerais comercializados internacionalmente). Isso nunca enriqueceu ninguém”.
A cerimônia de abertura do 20º Fórum Nacional deve contar com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja palestra tratará do tema Para Onde Vai o Brasil – Econômica, Social e Politicamente – Sob o Signo da Incerteza. Nos diversos painéis do fórum está prevista a participação dos ministros Dilma Rousseff, Guido Mantega, Miguel Jorge, Sergio Rezende e Márcio Fortes, além de presidentes de estatais, líderes empresariais, parlamentares e acadêmicos do Brasil e do exterior.